O Purgatório é um estado de purificação final para aquelas que morrem na amizade de Deus, mas que ainda necessitam ser purificadas antes de poderem entrar nos céus. Não é um “terceiro lugar” entre o céu e o inferno, mas sim uma experiência de purificação necessária para as almas destinadas à visão beatífica.
Na doutrina católica, o Purgatório é compreendido como um processo de purificação das almas que morreram em estado de graça (sem pecado mortal), mas que ainda carregam consigo imperfeições, pecados veniais ou penas temporais devidas pelos pecados já perdoados. Este processo é necessário porque nada impuro pode entrar no Reino dos Céus, como nos ensina a Sagrada Escritura.
É importante entender que o Purgatório não é uma “segundo chance” após a morte, nem um estado intermediário entre salvação e condenação. As almas no Purgatório já estão salvas, já pertencem a Cristo, mas precisam deste processo de purificação antes de contemplarem a Deus face a face na visão beatifica.
É, portanto, um santo e salutar pensamento orar pelos mortos, para que sejam livres dos seus pecados.
A obra de cada um será manifestada… Se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele prejuízo; mas o obreiro será salvo, todavia como que pelo fogo.
Em verdade te digo que não sairás dali enquanto não pagares o último centavo.
Se alguém falar contra o Filho do Homem, ser-lhe-á perdoado, mas, se falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste mundo nem no futuro.
Desde os primeiros séculos, a Igreja mantém a prática de orar pelos fiéis falecidos. Inscrições nas catacumbas romanas já mostram orações pelos mortos, indicando a crença em um estado de purificação após a morte.
Os Padres da Igreja, como Santo Agostinho e São Gregório Magno, escreveram extensivamente sobre a purificação das almas após a morte. Santo Agostinho, em sua obra “A Cidade de Deus”, fala sobre o fogo purificador que não é eterno como o do inferno.
A doutrina do Purgatório foi formalmente definida nos Concílios de Lyon (1274), Florença (1439) e Trento (1563), reafirmando esta antiga crença da Igreja e refutando os que a negavam.
“Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não de todo purificados, embora seguros da sua salvação eterna, sofrem depois da morte uma purificação, a fim de obterem a santidade necessária para entrarem na alegria do céu.”
O Catecismo da Igreja Católica nos ensina que o Purgatório não deve ser entendido primariamente como um lugar, mas como um estado ou processo de processo de purificação. Esta purificação é diferente das penas do inferno, pois não é uma condenação, mas uma graça purificadora que prepara a alma para a visão beatifica.
A Igreja afirma também que podemos ajudar as almas do Purgatório através de sufrágios – orações, esmolas, indulgências e, sobretudo, o Santo Sacrificio da Missa. Esta ajuda baseia-se na doutrina da Comunhão dos Santos, que une todos os membros do Corpo Místico de Cristo.
Embora a Igreja não tenha definido dogmaticamente a natureza exata do sofrimento no Purgatório, a tradição teológica geralmente fala de uma “pena de dano” (a privação temporária da visão de Deus) e possivelmente uma “pena de sentido” (alguma forma de sofrimento purificador).
Estado de felicidade eterna e comunhão perfeita com Deus. As almas no céu contemplam a Deus face a face (visão beatífica) e experimentam a plenitude da alegria e do amor. O céu é eterno e definitivo.
Estado de separação definitiva de Deus por escolha livre e consciente da pessoa. As almas no inferno sofrem a pena de dano (ausência de Deus) e a pena de sentido (sofrimento). O inferno também é eterno e definitivo.
Estado temporário de purificação para as almas que morrem em amizade com Deus, mas ainda imperfeitas. Diferente do inferno, o Purgatório é caracterizado pela esperança e pela certeza da salvação. Diferente do céu, é um estado transitório, não definitivo.
As almas no Purgatório experimentam tanto sofrimento (pela purificação) quanto alegria (pela certeza da salvação). Após a purificação completa, estas almas entram na glória do céu.
Embora a palavra “purgatório” não apareça na Bíblia, o conceito de purificação após a morte está presente em várias passagens bíblicas, como em 1 Coríntios 3,13-15, Mateus 12,32 e 2 Macabeus 12,46. A Igreja desenvolveu esta doutrina baseando-se nestas passagens e na tradição apostólica.
A Igreja não define a duração do Purgatório em termos de tempo terreno. Como é um estado após a morte, não está sujeito às mesmas limitações temporais que experimentamos na terra. O que sabemos é que é temporário e terminará no Juízo Final, quando só existirão o céu e o inferno.
Podemos ajudar as almas do Purgatório através de orações, especialmente a Santa Missa oferecida por elas, obras de caridade, indulgências aplicadas aos fiéis defuntos, jejuns e sacrifícios. Esta ajuda é possível graças à Comunhão dos Santos, que une todos os membros da Igreja – os que peregrinam na terra, os que se purificam no Purgatório e os que já gozam da visão beatífica no céu.
O Catecismo da Igreja Católica descreve o Purgatório mais como um estado ou processo de purificação do que como um lugar físico. Após a morte, a alma separada do corpo não está limitada por dimensões físicas como estamos na terra. No entanto, para facilitar a compreensão, muitas vezes falamos do Purgatório em termos espaciais.
Não. Apenas aqueles que morrem em estado de graça (sem pecado mortal), mas ainda com imperfeições, pecados veniais ou penas temporais devidas pelos pecados já perdoados, passam pelo Purgatório. Os santos, que alcançaram a perfeição da caridade, vão diretamente ao céu. Aqueles que morrem em estado de pecado mortal vão ao inferno.
“O fogo do Purgatório é idêntico ao do inferno; a diferença está em que no inferno não tem fim, e no Purgatório, sim. Ó, se conhecêsseis o que é o Purgatório, com que diligência trabalharíeis para evitá-lo!”
“No momento da morte, receberemos luz para ver e conhecer todos os nossos pecados e também o juízo que nos espera. O Purgatório é como um segundo Batismo de fogo, destinado a eliminar, por meio do sofrimento, as imperfeições da alma.”
“As almas do Purgatório estão certas de sua salvação, e esta certeza é para elas uma fonte de grande alegria. Elas sabem que estão destinadas a ver a Deus, a amá-lo e a possuí-lo por toda a eternidade.”
“O Purgatório revela-nos um Deus tão puro e santo que, antes de admitir-nos à sua presença, prefere ver-nos passar por um banho purificador. Mas também nos revela um Deus tão misericordioso que não nos abandona mesmo após a morte e nosação.”
“Não podemos calcular com medidas terrenas as ‘durações’ deste estado de purificação. O ‘fogo transformador’ não é um elemento físico, mas uma metáfora para expressar o encontro com Deus, para o homem que tem em si o que arde, o que deve ser consumido para que possa haver conformidade com Deus.”